A PEDAGOGIA DA APROXIMAÇÃO
Desde os primórdios da humanidade, muito antes de emergir qualquer instituição escolar, professor e aluno, das teorias de Jean Piaget e sua epistemologia genética e de Lev Vygotsky e seu pensamento sócio-interacionista a “pedagogia da aproximação” já reinava como melhor e principal mecanismo de promoção do conhecimento. Isso ocorre por um princípio básico “o homem precisa do homem para viver”. Deste modo, a evolução das culturas humanas nada mais é do que o resultado do esforço de aproximação entre os homens em sua incessante busca pelo conhecimento.
Bem! Antes que minha fala torne-se mais um discurso vão e chato, vamos aos fatos. Aliás, vamos às datas. Neste dia 17 de junho de 2011, na escola Municipal Inácio Félix de Melo promoveu-se um encontro entre os alunos desta escola e das escolas Major Hortêncio de Brito (Acari-RN) e Senhora Santana (Tenente Laurentino Cruz-RN), numa tarde junina em que o frio resolveu fugir da serra e o tempo ficou quente e chuvoso.
Mas de fato, o que uma coisa tem a ver com a outra? Aparentemente nada, mas na realidade tudo, pois quem lá esteve pode presenciar uma curta e bela demonstração da velha/nova pedagogia da aproximação. Uma verdadeira transformação dos parâmetros tradicionais do ensinar e do aprender, uma reconstrução do saber.
Nesta experiência os limites geográficos foram transgredidos e na reelaboração do espaço o grande ginásio de esportes, feito de sala de aula, ficou apertado diante de tanta participação, tanta vontade e tanta energia. Assim, professores e alunos se confundiam em meio às brincadeiras e as apresentações que envolviam a todos sem distinção. O conteúdo programático foi a aproximação de pessoas através da alegria e da descontração. A metodologia: participa quem pode e aproveita o quanto pode! Os recursos metodológicos nada mais eram do que o calor humano, o aperto de mão, o abraço e a agitação. E a avaliação, essa não exigiu muita aplicação, bastava observar o olhar de satisfação e a transparente alegria. Simples assim.
E assim, meio sem querer/querendo, todos (digo todos mesmo) aprendemos muito e muito mais do que se poderia aprender em uma situação dita normal. Aprendemos a olhar para os outros e que olhar para os outros é também olhar para nós mesmos. Aprendemos a estranhar o estranho e a reconhecer o que há de estranho dentro de nós. Aprendemos a competir sem brigar, pois o prêmio era o conhecimento e o reconhecimento da igualdade.
Se desde os primórdios da humanidade já era assim, então por que ainda insistimos em evitar a aproximação? Diante de muitas hipóteses provavelmente a mais evidente é o medo de conhecer e de experimentar o novo, de descobrir e de se descobrir. Assim, nos escravizamos as barreiras do possível, nos fechamos em nosso egoísmo insano e desmedido, passamos a acreditar que podemos “ser sozinhos” e evitamos a aproximação.
Há, Já sinto saudades daquela tarde junina em que tivemos uma grande aula baseada nos velhos métodos da nova pedagogia da aproximação!
Professor: Marcos Antônio da Silva


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